R E F L E X Õ E S C O N T E M P O Â N E A S

“não há mais nada a dizer, embora nada tenha sido dito” Malone-Beckett

Júlia Rocha é a abreviação de Júlia da Rocha Mello Gonçalves.
É um sujeito em conflito entre a fantasia onde moram seus desejos pessoais e a condição que o mundo pragmático oferece. Também põe em questão os modos de se colocar em relação e acha que no ano pré-apocalíptico de 2012, onde de um tudo já foi dito, é difícil achar brechas, frestas e, portanto, respiro.
Guarda o otimismo e a esperança de que se o tempo é presente de si mesmo, há algo nesse tempo, próprio de si, e que por estar e compor o tempo não possui o distanciamento necessário para diagnosticá-lo.
“Está no escuro da própria época.”
Esse tempo, o contemporâneo, ganha o nome do agora, o que significa que ele poderá durar para sempre, afinal cada aqui é um agora. É o tempo onde a escrita da história acontece junto da própria história, a agilidade informacional e seu alcance fazem com que as formulações e reflexões sobre o tempo em que se vive sejam o próprio tempo. É o momento em que o que se vive é a própria história em torno da sua história.
O contemporâneo é a metalinguagem da sua própria face sendo o que tem para ser a discussão de si mesmo. Ou seja, vivemos no meta-tempo.

NADA DISSO É MUITO, MUITO MENOS ISSO

“o que ser artista...
eu resisto muito e estou querendo perceber que pertenço a esse grupo de pessoas que não só deslocam e re-perspectivam as coisas como se preocupam em transformá-las no mundo, para o mundo. do mundo pro muito. a gente quer ser visto
mas não por mérito capricho ou vaidade; por escolha e essa escolha, necessidade.
é, o sentido da vida é mesmo a busca pelo sentido e se nada a ver nada haverá.
Lembrar que juntos criamos a ilusão do real, é essa a terefa, apenas lembrar… ‘ para não esquecer’ ”


DEPOIS: DEPOIMENTO

“O inútil necessário”. Esse campo de levantamento de materiais pessoais tem servido para dar contorno a um interesse que mistura a autobiografia como um ponto de criar ficção para si mesmo e para o outro. “Fingir mais para fingir melhor” é o parâmetro criativo que estou usando para dilatar a tensão entre apresentação e representação.
Não tenho a pretensão de chegar a um formato teatral para esses interesses atuais, mas sim de dar qualquer tipo de forma que essas questões sugerirem. Textos, vídeos e fotos, por exemplo.
To do it, tem sido uma síntese importante para mim. Saindo da universidade, muitos assuntos e possibilidades são levantados e agora estou no momento do fazer.
Costumo ir ver dança e teatro e expiosições de artes visuais, porque ver como os artistas organizam e propõe suas questões, me instiga e impulsiona.
A dança é uma linguagem muito curiosa, que ao contrário das outras, que já estão muito coladas ou descoladas do discurso verbal, é uma liguagem que põe em xeque a tirania do significado. O que fala no corpo? Ter esse objeto de trabalho que é ao mesmo tempo um sujeito, propõe para a dança um desafio grande.
Pôr as coisas em perspectivas diferentes, dar espaço para a própria lógica da linguagem, ou o simples ato de renomear, são, para mim, fundamentos da arte, ou seja, sua capacidade de resignificar o real.
Eu penso que, talvez, o mais importante agora, seja experimentar os diversos modos de construção em dança, podendo entender que a cada trabalho pode se apresentar um modo singular de lidar com a criação e encenação. E, nesse momento, com a expansão dos limites específicos, com a contaminação entre as áreas e a queda dos especialistas, me interessa encontrar consistência.